O que é interessante na ciência para você?

Este artigo foi traduzido e adaptado de Logistics Research

Em um artigo que foi publicado em 1971, o sociólogo americano Murray S. Davis[1] levantou uma questão que deveria ser extremamente importante para os autores de artigos científico e editores de revistas acadêmicas: os autores querem que sua pesquisa seja notada, utilizada e citada. E os editores querem antecipar quais tipos de manuscritos vão chamar atenção e serão considerados uma leitura que valem a pena ao revisar e selecionar envios para publicação.

Ambos, autores e editores, precisam saber o que é que pode tornar o trabalho acadêmico interessante. Então, Davis perguntou: “Como as teorias geralmente consideradas interessantes diferem das teorias geralmente consideradas não interessantes?”

Ele apresentou uma resposta muito direta: “As teorias interessantes são aquelas que negam certos pressupostos de seu público, enquanto teorias não interessantes são aquelas que afirmam certos pressupostos de seu público”.

A maneira como Davis argumentou sua proposição torna a leitura divertida e perspicaz. Ele faz um caso muito convincente para a proposição provocativa de que o impacto do trabalho acadêmico não depende exclusivamente da sua verdade. Ele diz: “Aqueles que cuidadosamente e exaustivamente verificam teorias triviais são logo esquecidos”. Através de uma série de exemplos, ele mostra que tendemos a lembrar e apreciar trabalhos que, de alguma forma, os desafios são adotados para um conhecimento exato (como uma máxima, uma verdade presumida comum, uma prática amplamente aceita).

Para nós, os editores que trabalham para desenvolver a Logistics Research em uma revista acadêmica de alta qualidade amplamente reconhecida para o nosso campo. Há duas mensagens importantes na proposição de Davis que gostaríamos de transmitir aos nossos autores e leitores:

  1. Não é apenas o rigor acadêmico de uma pesquisa que o torna uma contribuição amplamente reconhecida. Os manuscritos devem ser “interessantes” na perspectiva dos seus leitores, o que requer alguma compreensão do conhecimento prévio e da mentalidade do público-alvo. A escolha das questões de pesquisa e a apresentação dos resultados da pesquisa em um campo das ciências aplicadas devem resistir aos: “E daí?”, “Quem se importa?”, “Por que se preocupar?” e “O que é bom?”.
  2. Como consequência para aqueles que entendem o que é “interessante” na pesquisa, há uma tentação perigosa a ser evitada: se a pesquisa for “feita” para ser artificialmente interessante ao usar formulações provocativas e de busca de atenção ou mesmo pela manipulação da evidência, ela perde sua autenticidade científica. Devemos fazer esforços para fazer ambos – ser academicamente rigoroso e autêntico e ser interessante!

Espero que você ache essa leitura interessante!

Peter Klaus


Referência

[1] Davis, S., M. 1971, That’s Interesting! Philosophy of the Social Sciences I pp. 309-344

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