Feedback climático e os micro-organismos do solo

Novo estudo publicado na revista Nature Climate Change vem com boas notícias sobre um possível ciclo de feedback climático.  Pesquisadores observaram a atividade microbiana e a dinâmica do solo por um longo período, e foram capazes de ver como os micro-organismos poderiam responder às mudanças climáticas no mundo real.
 
O que é feedback climático?
Feedback climático é um processo que amplifica ou reduz a força climática, podendo ser positivo ou negativo. O feedback climático positivo é tudo aquilo que adiciona calor a atmosfera e feedbacks negativos são processos que compensam o aquecimento. Por exemplo, os oceanos e a terra absorvem CO2 como parte do ciclo do carbono.
 
Micro-organismos do solo e o ciclo vicioso de feedback climático

Os solos são de longe o maior reservatório de material orgânico da Terra, contendo mais de três vezes o carbono atualmente presente na atmosfera, como dióxido de carbono. Micro-organismos no solo são responsáveis por digerirem material orgânico morto, convertendo-o em gases de efeito estufa, como dióxido de carbono (CO2).

Esses micro-organismos se tornam mais ativos com temperaturas quentes, o que levou à preocupação de que temperaturas mais altas associadas às mudanças climáticas poderiam levar a um ciclo vicioso, onde os solos quentes levam a micro-organismos mais ativos, que causam ainda mais emissões de gases de efeito estufa.

Entretanto, a pesquisa revelou que, após aquecimento prolongado, aproximadamente 40% do carbono no solo superficial havia sido perdido na atmosfera, mas não ocorreram mais perdas. No entanto, isso não parecia ser porque os micro-organismos estavam desacelerando seu metabolismo – não houve diferenças entre solos de controle e solo aquecido em termos de alterações fisiológicas ou metabólicas ou alterações na comunidade de micróbios presentes.

 
 
http://www.cienciaexplica.com.br/cienciaexplica/aquecimento-global-ocorrendo/
Aquecimento prolongado, redução de biomassa microbiana

No estudo foi descoberto que, mesmo após aquecimento prolongado, os micro-organismos ainda liberavam carbono rapidamente quando aquecidos, portanto não se adaptavam a temperaturas mais altas. Contudo, também descobrimos que havia muito menos micro-organismos em solos aquecidos.

Logo, assim como o carbono era perdido do solo sob aquecimento, a quantidade de biomassa microbiana também diminuía, o que levou a uma desaceleração percebida da atividade microbiana ao longo do tempo.

Os cientistas combinaram as descobertas experimentais com modelagem matemática para desenvolver um novo conceito de resposta microbiana ao aquecimento do solo, o que poderia ajudar a melhorar as previsões nos modelos climáticos globais.

“Usamos um modelo matemático para testar se um sistema de solo aquecido pode chegar a um novo estado estacionário que evita mais perda de carbono do solo, mesmo sem aclimatação dos próprios micro-organismos do solo. Nosso modelo se encaixa bem com nossas observações. Esse conceito representa uma passo importante para uma melhor compreensão do feedback dos solos ao aquecimento global ”, afirma Christina Kaiser, líder do grupo na Universidade de Viena e pesquisadora convidada no Programa de Evolução e Ecologia do IIASA.

Referência: 
 
Walker TWN, Kaiser C, Strasser F, Herbold CW, Leblans NIW, Woebken D, Janssen IA, Sigurdsson BD, Richter A. (2018) Microbial temperature sensitivity and biomass change explain soil carbon loss with warming. Nature Climate Change. DOI: 10.1038/s41558-018-0259-x
 

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