Brasil vai ganhar dois centros de ciências baseado no Exploratorium

As unidades do Exploratorium serão fundadas em Brasília e São Paulo com previsão de inauguração em 2022.

Reprodução: Exploratorium

O Exploratorium é um centro de ciências diferente de tudo que você já viu. Imagine um grande armazém dedicado 100% à exploração artística e divulgação científica com mais de 850 displays internos e ao ar livre que podem ser tocados e manuseados por crianças e adultos. Pois é, isso é o Exploratorium, um grande museu de ciências interativo. Os visitantes conseguem interagir com estruturas que simulam terremotos, experimentar uma excursão pela total escuridão através do domo tátil e se encantar com um terrário vivo de microrganismos que muda de cor e forma a cada visita.

O “museu comunitário dedicado à conscientização”, como se autointitulam, foi fundado em 1969 nas margens da Baía de São Francisco, em Califórnia. Foi por perceber um gap no ensino de ciências e tecnologia de São Francisco que Frank Oppenheimer, professor e físico experimental, idealizou o Exploratorium.

O centro de ciências Exploratorium, com o conceito bem enraizado no hands-on – aquela interação física, manipulação e experimentação –, foi um empreendimento de ruptura para os modelos de museus e centros de ciências conhecidos até aquele momento. Desde então, o museu interativo vem valorizando a criatividade, a experimentação, a comunidade, a interação hands-on, mas também as interações cognitiva e emocional (minds-on e hearts-on).

No Brasil e no mundo, o Exploratorium foi inspiração para alguns museus, centros de ciências e museus de ciências itinerantes, inspirados no modelo interativo do Exploratorium, como o Museu Catavento, em São Paulo, o Espaço Ciência Viva, no Rio de Janeiro, o Museu da Vida e o Ciência Móvel, ambos da Fiocruz, e o Ponto UFMG, em Minas Gerais. Todos os ambientes apresentam o discurso expositivo voltado para a interação física, não deixando de lado, claro, as interações cognitiva e emocional.

Reprodução: Exploratorium

Unidades SteamLabs no Brasil

Em novembro de 2019, o governador de São Paulo João Dória e o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) Robson Braga, realizaram uma visita técnica ao Exploratorium, onde foi anunciado uma iniciativa para trazer duas unidades do museu para o Brasil. As unidades, chamadas de SteamLabs, serão fundadas em São Paulo e Brasília com consultoria do Exploratorium e estão previstas para ficar prontas até 2022. Ambas as unidades serão construídas pela CNI e Instituto Euvaldo Lodi (IEL) com orçamento superior à R$100 milhões cada.

O nome – SteamLab – vem do conceito de ensino steam em inglês que une as áreas de ciência, tecnologia, engenharia, artes e matemática. A iniciativa SteamLab, além de contar com a consultoria do Exploratorium, também terá o apoio do Smithsonian Institution e outras instituições internacionais.

“O Exploratorium é uma grande inspiração e apoiará a equipe do SESI no design, na metodologia e na concepção de exibições. O principal objetivo do centro que está sendo planejado é despertar o interesse pela ciência e pela tecnologia com novas abordagens e também ser um espaço em que se discuta os impactos da inovação para a sociedade. É uma iniciativa pioneira no país”, afirma o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade.

São Paulo

A unidade SteamLab de São Paulo vai ser fundada no antigo Palacete Joaquim Franco de Mello, localizado na Av. Paulista, próximo ao MASP. A Secretaria Estadual de Cultura assumiu o imóvel em junho de 2019 e, para viabilizar a operação, o Governo de São Paulo fará uma permissão de uso do palacete para os próximos 35 anos. A Confederação Nacional da Indústria, por intermédio do SESI, irá administrar e restaurar o palacete de acordo com o projeto aprovado, de forma que preserve as características originais do imóvel tombado e construa os anexos necessários.

Reprodução: Veja São Paulo

Brasília

Em Brasília, a unidade do Exploratorium deverá se chamar Espaço SESI SENAI do Futuro e será fundada no edifício localizado no Setor Cultural Sul e assinado por Oscar Niemeyer, o Touring Club do Brasil, também tombado pelo Patrimônio Histórico e Cultural e abandonado. O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, e Paulo Mól, diretor de operações do Serviço Social da Indústria (Sesi), esperam revitalizar a região, junto com a privatização e reforma da Rodoviária do Plano Piloto. Na área também se encontram o Museu Nacional Honestino Guimarães e a Biblioteca Nacional.

Reprodução: Hugo Barreto/Metrópoles

Por mais que já existam museus e centros de ciências no Brasil que usam e abusam do princípio de interação “mão-na-massa”, até o momento não existem unidades do Exploratorium em outro lugar senão na Califórnia. Portanto, essas duas unidades SteamLabs poderão gerar um grande impacto na museologia brasileira, uma vez que trarão juntos seus design, metodologia e atividades. Esses SteamLabs são obras e locais pra ficar no radar e visitar assim que inaugurar.

Enquanto isso, visite o Exploratorium virtualmente:

Com informações de:
Veja – Tecnologia
Governo de São Paulo
Agência de Notícias CNI
Agência Brasília
Estadão – Cultura
O Globo – Boa Viagem

Atualizado em 23 de janeiro de 2020


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