Educação Midiática e Fake News em tempos de coronavírus: a importância de checar antes de compartilhar

Fonte: Ms Tech / Envato

Este texto foi produzido pela autora, Rafaela Ferreira, em parceria com a Marcia Garcia, Física, Mestre em Ensino de Ciências e Doutoranda em Educação em Ciências e Saúde.

Durante a crise da saúde pública ocasionada pela pandemia do coronavírus, manter-se informado e ter informações corretas é mais importante do que nunca. Para isso, é fundamental saber  distinguir fato de opinião e de identificar os interesses envolvidos nos usos estratégicos das mídias na circulação de determinados discursos.

Nesse contexto, em um mundo onde a tecnologia e as mídias são onipresentes e contribuem cada vez mais na formação da opinião pública, a Educação Midiática tem se tornado necessária para lidar com a nova dinâmica informacional, uma vez que envolve práticas de acesso, avaliação e manipulação crítica das mídias. Isso fica mais evidente com a difusão recente das fake news, onde qualquer um pode ser produtor de conteúdo, basta estar online e compartilhar.

Assim, é importante recordar que as fake news não são um fenômeno novo, tendo sido utilizadas em diferentes momentos da história da humanidade e de que  existem diferentes tipos de notícias falsas, como vemos a seguir:

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Fonte: Universidade Federal do Rio de Janeiro

Aqui destacamos o uso estratégico das Fake News nas diferentes plataformas de mídias, muitas vezes, utilizadas para ludibriar ou fornecer informações enganadoras com o  intuito de manipular e moldar a opinião pública.

As redes digitais de desinformação no Brasil

No Brasil tem se observado o uso massivo das redes sociais para disseminar notícias falsas. Um estudo publicado em maio pela Avaaz aponta que o WhatsApp e o Facebook estão entre as plataformas mais citadas de circulação de notícias entre os brasileiros.Os dados mostram que “59% viu ao menos um dos conteúdos desinformativos sobre o coronavírus no WhatsApp”, sendo a plataforma “…mais citada para 4 das 7 notícias falsas apresentadas aos entrevistados”. Em segundo lugar segue o Facebook com 55%.

A pesquisa destaca também, que entre países com maior incidência de Covid-19, os brasileiros têm mais propensão a acreditar em notícias falsas sobre coronavírus se comparado a americanos e italianos.

Esse quadro denota a importância do uso crítico das redes sociais considerando que estes espaços tornaram-se fontes de informação para muitos, apesar de não serem considerados confiáveis o suficiente.

Embora as redes sociais venham sendo utilizadas para propagar fake news, também é relevante pontuar o esforço de algumas delas  para remover conteúdos maliciosos, assim como disponibilizar orientações para evitar a difusão de notícias falsas. Porém, a enorme avalanche de conteúdo tem superado os esforços coordenados para barrar o compartilhamento e produção de notícias, o que tem dificultado bastante o trabalho do setor da saúde.

Alguns reflexos da crise informacional estão presentes  no questionamento  das medidas de isolamento social; na recusa ao uso de máscara para proteção; no consumo de medicamentos sem prescrição médica e sem comprovação científica para o tratamento da COVID – 19.

Com a difusão constante de fake news sobre a Ciência e sua consequente perda de credibilidade, as pessoas tem deixado cada vez mais de acreditar nos fatos apresentados pela comunidade científica e tem optado em confiar em informações acessadas pelas redes sem embasamento.

Aqui, presenciamos o fenômeno do negacionismo científico caracterizado por falsos especialistas, propagadores de discursos marcados por lógicas falaciosas, deturpadas. Estas orientadas por pistas para enganar e  distrair o público, a fim de levar a conclusões precipitadas e a falsas dicotomias, como as discussões que temos visto sobre “saúde x economia”. Além disso, as notícias falsas são guiadas por padrões irrealistas de dados, com foco em determinado público e embasada, muitas vezes, em teorias conspiratórias.

Um cenário que evidencia o desconhecimento de certa parte das pessoas do uso estratégico das mídias para fins de manipulação, assim como da natureza da ciência. Essas duas dimensões, mídia e ciência, que tem sido utilizadas de forma estratégica na produção e difusão de fake news para atingir fins políticos. Atualmente, o Brasil é um dos epicentros da Pandemia, com cerca de  3,908,272 milhões de infectados (contando com pessoas já curadas e óbitos) e 121,381 mil óbitos, de acordo com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e o Ministério da Saúde.

Com isso, em tempos de ataque à Ciência, um olhar crítico sobre as mídias se configura como uma forma de resistência contra uma cultura invasora, que coloniza e neutraliza o pensamento, ao apoiar o envolvimento crítico com questões cívicas e democráticas. Porém, a Educação Midiática é um começo, mas não é o final da história. Assim, é importante que seus preceitos  estejam articulados com elementos da natureza da ciência, a fim de problematizar a construção, o estabelecimento e a organização do conhecimento científico.

Algumas dicas para  barrar a desinformação e combater as fake news:

O que analisar nas notícias?  

Avalie o site visualmente. Os sites de notícias falsas geralmente parecem amadores, têm muitos anúncios irritantes e usam imagens alteradas ou roubadas .

Identifique os meios de comunicação. Se você nunca ouviu falar no canal de notícias, pesquise na internet para obter mais informações.

Verifique o domínio web.  Muitos URLs de notícias falsas parecem estranhos. O URL parece legítimo? Verifique a seção “Sobre nós”. Os veículos de notícias confiáveis ​​geralmente incluem informações detalhadas, declarações de políticas e contatos por e-mail na seção.

Identifique os autores dos artigos de notícias. É comum não incluir nomes de autores. Se incluído, pesquise o nome do autor para ver se ele é conhecido e respeitado.

Identifique a mensagem central. Leia o artigo cuidadosamente. Os artigos de notícias falsas geralmente sustentam um ponto de vista, têm um tom de raiva ou fazem alegações ultrajantes.

Avalie a ortografia, a gramática e a pontuação. Se o artigo tiver escrito incorretamente, tiver palavras MAIÚSCULAS, gramática ruim ou muitos “!!!!”, suspeite.

Análise fontes e citações. Considere as fontes do artigo e quem é citado. Artigos de notícias falsas geralmente citam fontes anônimas, fontes não confiáveis ​​ou nenhuma fonte.

Encontre outros artigos sobre o assunto. Pesquise na Internet mais artigos sobre o mesmo tópico. Se você não encontrar nenhum a respeito, é provável que a informação seja falsa.

Verifique nas agências de checagem. Os verificadores de fatos dizem que a notícia é verdadeira?

Depois de analisar, se pergunte, se ainda assim é necessário compartilhar a  notícia.

Que Agências de checagem posso acessar?

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