Animais de estimação e os efeitos nocivos do cigarro

Os efeitos nocivos do cigarro também atacam os animais de estimação de donos fumantes. É o que diz os estudos coordenados pela pesquisadora Clare Knottenbelt, da Universidade de Glasgow, na Inglaterra.

É de conhecimento geral que os componentes do cigarro são tóxicos para quem fuma e também para as pessoas que estão expostas à fumaça do cigarro, os chamados fumantes-passivos. Em geral, ambos possuem maior risco de desenvolverem doenças cardiovasculares e doenças pulmonares, como o câncer pulmonar e enfisema pulmonar.

Ilustração de Enrique Meseguer.

Com os animais de estimação não é diferente. Cães e gatos expostos a ambientes com fumantes de cigarro, seja o dono ou amigos do dono, apresentam níveis de nicotina nos pelos similares aos encontrados em cabelo de crianças que convivem com familiares fumantes[1]. Os dados indicam que o mau hábito de fumar pode aumentar o risco de câncer de pulmão e da cavidade nasal do seu animal[1]. Outros estudos relacionam a exposição de gatos aos componentes tóxicos do cigarro com o desenvolvimento de carcinoma de células escamosas bucal[2], conhecido como câncer de boca.

Na verdade, seus pets podem sofrer ainda mais que os humanos fumantes-passivos. A nicotina, formada após a queima do tabaco, se adere à pelagem do animal. Em seu hábito natural de higiene, o cachorro ou gato irão se lamber, fazendo com que a nicotina que estava presente na superfície do pelo seja absorvida oralmente, tendo uma absorção sistemática e, assim, mais rápida[3].

Os estudos da Dra. Knottenbelt ainda revelam que os níveis de nicotina nos pelos de gatos são maiores que nos pelos de cachorro. Algumas hipóteses foram levantadas: a primeira foi que os gatos mantêm uma relação mais física com seus donos quando comparado com cachorros, já que, em geral, gatos vivem dentro de casa e cachorros podem viver no quintal. A segunda hipótese sugerida é que, geralmente, gatos tem passe livre para explorar outros ambientes fora do lar, fazendo com que possam conviver com outras pessoas fumantes[3].

“Um gato pode viver em uma casa sem fumantes e ainda assim ter altos níveis de nicotina”, diz Knottenbelt.

 

Como ajudar seu animal de estimação?

Foto de Winsker.

Se você é fumante, ficou preocupado com o bem estar do seu animal de estimação e gostaria de minimizar o impacto do cigarro na saúde dele, tome alguns cuidados extras com seu pet na hora de fumar. Por exemplo, reduzindo a exposição direta do animal em ambientes com pessoas fumando e evitar fumar em lugares fechados, como quartos e salas[1, 3].

Você ainda tem a opção de parar de fumar. Com esforço, dedicação e ajuda médica, parar de fumar é possível e irá melhorar sua qualidade de vida assim como das pessoas ao seu redor e, agora, sabemos que melhorará a saúde dos seus pets também.

 

Os estudos citados nesse artigo foram realizados pela Universidade de Glasgow, Universidade de Strathclyde, na Inglaterra, Universidade de Umm-Alqura, na Arábia Saudita e Universidade de Tufts, nos Estados Unidos da América.


Referências:

[1] 2013. Knottenbelt, C. M.Bawazeer, S.Hammond, J.Mellor, D. e Watson, D. G. Nicotine hair concentrations in dogs exposed to environmental tobacco smoke: a pilot study.

[2] 2004. Snyder, L. A., Bertone, E. R., Jakowski, R. M., Dooner, M. S., Jennings-Ritchie, J. e Moore, A. S. p53 Expression and Environmental Tobacco Smoke Exposure in Feline Oral Squamous Cell Carcinoma.

[3] 2017. Smith, V. A.McBrearty, A. R.Watson, D. G.Mellor, D. J.Spence, S. e Knottenbelt, C. Hair nicotine concentration measurement in cats and its relationship to owner-reported environmental tobacco smoke exposure.

[4] 2012. Bawazeer, S.Watson, D. G. e Knottenbelt, C. Determination of nicotine exposure in dogs subjected to passive smoking using methanol extraction of hair followed by hydrophilic interaction chromatography with Fourier transform mass spectrometry.

BBC Brasil. 2017. Animais de estimação com donos fumantes podem ter câncer e outras doenças, alerta pesquisa

 

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Sidcley Lyra

Formado em Ciências Biológicas: Microbiologia e Imunologia pela UFRJ no ano de 2017. Tenho experiência na área de Microbiologia, com ênfase em Microbiologia Ambiental. Além dos estudos que resultou no TCC, participei de alguns projetos de popularização da ciência, como o Cineclube Biofilme e o Ciência em Jogo.

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