Eclipse Solar Total: O eclipse mais esperado de 2017

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Na próxima segunda-feira, 20 de agosto, irá ocorrer o eclipse solar mais esperado pela NASA desde a década de 70[1]. Isso porque a sombra do eclipse solar irá percorre os Estados Unidos da América, de costa a costa, deixando alguns estados na escuridão. A faixa de sombra terá uma extensão de 113 km e se moverá de Oregon até Carolina do Sul, passando por 14 estados americanos, numa duração total de 4 horas. O eclipse solar total só poderá ser observado dentro dessa faixa de sombra, ou seja, somente quem está entre esses quatorzes estados dos EUA verá o eclipse total. Sua maior duração será de 2 minutos e 44,6 segundos no estado de Illinois.

Mas a penumbra do eclipse ira percorrer outros locais, como o Canadá, Groenlândia, México, os países da América Central e alguns países localizados ao norte da América do Sul – incluindo alguns estados do Norte e Nordeste do Brasil. Nesses locais será possível visualizar um eclipse solar parcial e com menos intensidade. Na fronteira norte do Brasil com a Guiana, no monte Caburaí, o eclipse será parcial, com cerca de 50% de escuridão. O trecho contemplado pela penumbra chega até Brasília, mas com apenas 1,96%. Nestas regiões com baixo índice, vamos notar apenas uma diminuição do brilho do sol.

O eclipse solar total só poderá ser observado em regiões que se encontram dentro da sombra gerado pela lua. Enquanto as regiões que se encontram na penumbra, observarão o eclipse parcial. Imagem: A Ciência Explica

Em Boa Vista, o Clube de Astronomia de Roraima irá organiza um evento de observação do eclipse. Eles levarão alguns telescópios com filtro e óculos especiais para o público desfrutar do fenômeno, mesmo que parcial.

 

O que tem de diferente nesse Eclipse?

Apesar de eclipses serem relativamente frequentes – entre 2 a 5 por ano[2] –, esse é diferente por conta da sua duração e localização. Geralmente os eclipses são mais curtos do que 2 minutos e/ou ocorrem em regiões oceânicas. Por conta disso, pesquisadores de todo o mundo estão se preparando para obter os mais diversos dados de diferentes experimentos científicos. No fim, teremos informações que irão agregar conhecimento sobre a atmosfera do Sol e também da Terra.

Trajeto do eclipse solar total de 2017. Fonte: A.T. Sinclair/NASA

A maioria desses experimentos só pode ser feitos no exato momento em que a lua bloqueia a face luminosa do Sol, revelando sua atmosfera. Esse é o caso do grupo de pesquisa liderado por Paul Bryans do National Corporation for Atmospheric Research (Corporação Nacional de Pesquisas Atmosféricas, tradução livre). Eles irão conduzir um experimento para captar pela primeira vez a luz infravermelha emitida pela atmosfera do Sol – chamada de Corona – usando o espectrofotômetro NCAR Airborne Interferometer, que coleta a luz emitida pela corona, a separa por comprimento de onda e mede a intensidade de cada uma. Esses novos dados irão ajudar o grupo de cientistas a caracterizar o campo magnético da Corona, o que é fundamental para entender e eventualmente ajudar a prever eventos meteorológicos espaciais.[3]

O Observatório Solar e Heliosférico da NASA, SOHO (sigla em inglês), observa constantemente as regiões externas da coroa do Sol. Durante o eclipse de 21 de agosto de 2017, os cientistas observarão as regiões mais baixas da coroa do sol para entender melhor a fonte de explosões solares chamadas de ejeções de massa coronal, bem como as temperaturas inesperadamente altas na corona.
Créditos: ESA/NASA/SOHO

Um segundo grupo de pesquisa, liderado pelo cientista da NASA, Guoyong Wen, irá utilizar instrumentos na Terra mirando para o sol e outro, para o mar; um satélite que dará as condições da atmosfera e da superfície terrestre; e um instrumento em outro satélite, o NASA DSCOVR, monitorando a radiação de saída da Terra. Toda essa mobilização tem como objetivo medir a temperatura da atmosfera e da superfície terrestre durante a ausência de radiação que o eclipse solar irá promover no exato momento de escuridão. E essa coleção de dados serão analisados para construir melhores modelos de transferência de calor através da radiação.[3]

Os pesquisadores brasileiros não irão perder a oportunidade e também possuem alguns experimentos agendados para o fenômeno. Um desses experimentos é a missão Kuaray, projeto da Universidade de Brasília (UnB) em parceria com a Universidade Estadual de Montana. A iniciativa LAICAnSat-1 pretende ver o eclipse bem de perto, lançando uma plataforma de experimentos de alta altitude durante a totalidade do eclipse. A plataforma será usada para gravar um vídeo de realidade virtual do fenômeno em 360 graus para ser exibido no Planetário de Brasília. A missão será lançada durante o eclipse na cidade de Rexburg, nos Estados Unidos.

 

Mantenha-se curioso

Antes mesmo da história ser escrita, a humanidade observa eclipses solares e lunares. Podemos perceber que eles vão muito além de um fenômenos para se admirar. Temos que nos manter curiosos e nos questionar sobre o que de fato estamos vendo. Hoje vocês viram como um fenômeno que acontece tão rápido pode gerar tanta informação e conhecimento. Essa coleta de informação também acontecia antigamente. No século XX, a teoria da relatividade de Einstein foi comprovada durante um eclipse solar total.[4] Agora imagine o que podemos fazer, nos dias de hoje, com todos os telescópios, satélites e outros instrumentos com tecnologia de ponta disponíveis!

 

Curiosidades

  1. Durante o a totalidade de um eclipse solar, os animais se comportam como se fosse noite: pássaros voltam para seus ninhos e animais noturnos aparecem. Porém, logo em seguida, quando os raios solares voltam a tocar o solo, eles voltam à atividade normal.[5]
  2. A temperatura ambiente diminui ligeiramente durante a totalidade de um eclipse solar, porém é imperceptível sem um termômetro.[6]
  3. Se você estiver em uma grande área plana, é possível enxergar a sombra do eclipse se aproximando de onde você está. Deve ser uma vista magnífica.

 

Onde observar o eclipse?

Se você está nos EUA, veja aqui quais são os melhores locais para se observar o eclipse solar total.

Agora, se você se encontra em outro local, que não os privilegiados, a NASA irá transmitir o eclipse solar ao vivo nesse link. A transmissão deve começar a ocorrer às 13 horas (horário de Brasília) do dia 21 de agosto.

 


Referências

[1] HM Nautical Almanac Office. Eclipse solar total: Fevereiro de 1979. Acesso em: 14 ago. 2017

[2] Silvia Helena Becker Livi. Eclipse solar total: 3 de novembro de 1994. UFRGS. Acesso em: 14 ago. 2017

[3] NASA. Ciência no chão. Acesso em: 14 ago. 2017

[4] Rodrigo de Oliveira Andrade. O eclipse que confirmou Einstein. Revista FAPESP. Acesso em: 14 ago. 2017

[5] NASA. Animais alteram seu comportamento durante um eclipse solar? Acesso em: 14 ago. 2017

[6] NASA. A temperatura se altera durante a totalidade de um eclipse solar? Acesso em: 14 ago. 2017

Victor Correa. Eclipse solar permitirá a cientistas mais conhecimento sobre o universo. Correio Braziliense. Acesso em: 14 ago. 2017

Carolina Dantas. Eclipse solar irá cobrir o sol completamente nos EUA; veja como será no Brasil. G1. Acesso em: 14 ago. 2017

NASA. Página dedicada ao Eclipse Solar Total de 2017. Acesso em: 14 ago. 2017

 

 

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About Sidcley Lyra

Formado em Ciências Biológicas: Microbiologia e Imunologia pela UFRJ no ano de 2017. Tenho experiência na área de Microbiologia, com ênfase em Microbiologia Ambiental. Além dos estudos que resultou no TCC, participei de alguns projetos de popularização da ciência, como o Cineclube Biofilme e o Ciência em Jogo.

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