Estudo mostra que assédio sexual no trabalho aumenta o risco de desenvolver depressão

Em agosto de 2017, diversas denúncias de assédio sexual, estupro e pedofilia ganharam força em diferentes setores da área de entretenimento dos Estados Unidos, principalmente o cinematográfico.

O tabu ganhou os noticiários quando o The New York Times e The New Yorker publicaram uma matéria que trazia denúncias de mulheres, incluindo atrizes e ex-funcionárias, contra Harvey Weinstein. Magnata de Hollywood, Harvey Weinstein, tinha grande influência na área e vinham cometendo abuso sexual desde os anos 90, aproveitando-se de atrizes iniciantes, modelos e funcionárias de sua companhia.

Essas poderosas reportagens incentivaram outras mulheres que se sentiam intimidadas de acusar figuras tão influentes a relataram seus casos e denunciaram seus infratores. Os atores Kevin Spacey, Dustin Hoffman, o fotógrafo Terry Richards, o diretor e produtor Brett Ratner e o escritor James Toback entraram para a lista de acusados e foram alvos de duras críticas.

Infelizmente, assédio sexual no ambiente de trabalho é um ato recorrente por pessoas com maior influência ou poder. No Brasil, cerca de 52% dos profissionais já sofreram assédio sexual ou moral no ambiente de trabalho, sendo as mulheres as que mais sofrem com ambos os abusos[1], revela pesquisa feita pelo site Vagas.com e divulgado pela BBC Brasil.

 

 

Em muitos casos, essas agressões deixam marcas nos trabalhadores que podem desenvolver problemas de saúde, como depressão e ansiedade. Motivo que guiou a Dra. Ida E. H. Madson a desenvolver uma pesquisa envolvendo 7603 profissionais de 1041 empresas da Dinamarca.

Em setembro de 2017, o estudo foi publicado na BioMed Central Public Health e relacionou o desenvolvimento de depressão com o assédio sexual por duas fontes de exposição diferentes: assédio sexual por clientes e assédio sexual por supervisores ou colegas, ambos em locais de trabalho[2].

Então, os pesquisadores mostraram que, quando comparados com quem não foi exposto a nenhum tipo de abuso sexual, empregados expostos a assédio sexual por parte de clientes obtiveram uma média de 2,05 pontos acima no Inventário de Depressão Principal (MDI) – questionário que gera um diagnóstico de depressão junto com sua severidade.

Enquanto isso, empregados que foram expostos a assédio sexual por parte de supervisores/colegas em locais de trabalho obtiveram uma média de 2,45 pontos acima no MDI, quando comparados àqueles que foram expostos a assédio sexual por parte de clientes.

Com isso, os pesquisadores demonstram que o assédio sexual infringido por colegas ou supervisores em locais de trabalho aumenta significantemente o risco de o trabalhador desenvolver depressão. Os autores também salientam a importância de identificar métodos para prevenir que os assédios ocorram tanto por clientes quanto por funcionários.

 


Referências:

[1] BBC Brasil. Metade dos brasileiros já sofreu assédio no trabalho, aponta pesquisa.

[2] 2017. Maria K. Friborg, Jørgen V. Hansen, Per T. Aldrich, Anna P. Folker, Susie Kjær, Maj Britt D. Nielsen, Reiner Rugulies and Ida E. H. Madsen. Workplace sexual harassment and depressive symptoms: a cross-sectional multilevel analysis comparing harassment from clients or customers to harassment from other employees amongst 7603 Danish employees from 1041 organizations.

Correio Braziliense. Como fica Hollywood após tantas denúncias de assédio?

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About Sidcley Lyra

Formado em Ciências Biológicas: Microbiologia e Imunologia pela UFRJ no ano de 2017. Tenho experiência na área de Microbiologia, com ênfase em Microbiologia Ambiental. Além dos estudos que resultou no TCC, participei de alguns projetos de popularização da ciência, como o Cineclube Biofilme e o Ciência em Jogo.

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