Homens que praticam violência contra a mulher podem se ver como vítima de conflito

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Fonte: Agência Bori

Highlights

  • Pesquisadoras entrevistaram homens que foram detidos na Delegacia Especial da Mulher de Guarapuava, Paraná
  • A violência esteve presente na vida do agressor desde a infância
  • Os agressores colocam-se como vítimas das ex-companheiras, do sistema e da lei

A cada quatro minutos uma mulher é agredida por um homem no Brasil, segundo o Ministério da Saúde, e muitos entre os agressores atribuem à vítima a culpa pela violência. É o que aponta estudo da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) de 27 de março na “Revista Brasileira de Enfermagem”. Segundo o estudo, os homens acusados de violência contra as mulheres sentem-se injustiçados e vítimas das ex-companheiras, do sistema e da lei, mesmo assumindo suas atitudes.

Pesquisadoras das instituições entrevistaram, entre 2015 e 2016, 12 homens denunciados por violência contra a própria companheira, todos detidos na Delegacia Especial da Mulher de Guarapuava, no centro-sul do Paraná. Segundo o Mapa da Violência 2015, a região ocupava a 373ª posição em número de feminicídios, com uma taxa média de 6,5 assassinatos a cada 100 mil habitantes – bem acima da média nacional, de 4,8, e do Paraná, de 5,2.

As entrevistas tiveram foco na repetição do comportamento entre gerações, os sentimentos e comportamentos do agressor diante da violência, suas repercussões para o agressor e a vitimização do homem ao longo de sua história. Ao analisar as respostas, as pesquisadoras observaram que a violência acompanha os agressores desde sua infância e que a única consequência temida por eles é a prisão. À vítima da sua agressão coube, segundo o relato dos criminosos, o papel de culpada.  De acordo com a pesquisa, a violência está no cerne familiar – além de presenciarem a violência sofrida pela mãe na infância, também foram submetidos à ela, e na atualidade a praticam na educação dos filhos.

Relato do agressor

“Apesar de o relato das vítimas ser de extrema importância como fonte de informações sobre o que de fato ocorreu, buscamos evidenciar também a relevância de se desenvolver estudos com os homens que praticam a violência. Dessa forma, é possível compor um quadro mais completo sobre o perfil do agressor para subsidiar a elaboração de políticas públicas voltadas à mudança de comportamentos violentos adotados pelos homens para a resolução de conflitos domésticos, muitas vezes resultantes de sua própria história com a violência”, explica Alexandra Bittencourt Madureira, coautora do artigo.

Entre os agressores entrevistados, 58,3% eram adultos jovens, com idade entre 20 e 40 anos; 83,3% tinham de um a três filhos com a denunciante; 50% se declararam casados e 33,3%, solteiros. A maioria (41,7%) conviveu de dois a seis anos com a mulher agredida. Quanto ao tipo de violência pela qual o agressor foi acusado, a violência moral foi mencionada por 41,7%, seguida da física/moral e da psicológica, ambas citadas por 17,7% dos homens.

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