Entenda o que é transtorno do espectro autista

Hoje, dia 2 de abril, é o Dia mundial da conscientização sobre o autismo. Data foi criado pela Organização das Nações Unidas em 18 de dezembro de 2007 para a conscientização acerca dessa questão.

 

O que é transtorno do espectro autista?

Transtorno do espectro autista (TEA) refere-se a uma gama de condições caracterizadas por algum grau de comportamento social prejudicado, como dificuldade de comunicação por deficiência no domínio da linguagem e no uso da imaginação para lidar com jogos simbólicos, dificuldade de socialização e padrão de comportamento restritivo e repetitivo.

Recebe o nome de espectro, porque envolve situações e apresentações muito diferentes umas das outras, numa gradação que vai da mais leves à mais grave. Todas, porém, em menor ou maior grau estão relacionadas, com as dificuldades de comunicação e relacionamento social.

 

De acordo com o quadro clinico, o TEA pode ser classificado em:

Autismo clássico – o grau de comprometimento pode variar de muito. De maneira geral, os portadores são voltados para si mesmos, não estabelecem contato visual com as pessoas nem com o ambiente; conseguem falar, mas não usam a fala como ferramenta de comunicação. Embora possam entender enunciados simples, têm dificuldade de compreensão e apreendem apenas o sentido literal das palavras. Não compreendem metáforas nem o duplo sentido. Nas formas mais graves, demonstram ausência completa de qualquer contato interpessoal. São crianças isoladas, que não aprendem a falar, não olham para as outras pessoas nos olhos, não retribuem sorrisos, repetem movimentos estereotipados, sem muito significado ou ficam girando ao redor de si mesmas e apresentam deficiência mental importante;

Autismo de alto desempenho (antes chamado de síndrome de Asperger) – os portadores apresentam as mesmas dificuldades dos outros autistas, mas numa medida bem reduzida. São verbais e inteligentes. Tão inteligentes que chegam a ser confundidos com gênios, porque são imbatíveis nas áreas do conhecimento em que se especializam. Quanto menor a dificuldade de interação social, mais eles conseguem levar vida próxima à normal.

Distúrbio global do desenvolvimento sem outra especificação (DGD-SOE) – os portadores são considerados dentro do espectro do autismo (dificuldade de comunicação e de interação social), mas os sintomas não são suficientes para incluí-los em nenhuma das categorias específicas do transtorno, o que torna o diagnóstico muito mais difícil.

 

Vida e Família

TEAs começam na infância e tendem a persistir na adolescência e na idade adulta. Na maioria dos casos, as condições são aparentes durante os primeiros 5 anos de vida. Enquanto algumas pessoas com TEA podem viver de forma independente, outras têm deficiências graves e requerem cuidados e apoio ao longo da vida.

Indivíduos com TEA frequentemente apresentam outras condições concomitantes, incluindo epilepsia, depressão, ansiedade e transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). O nível de funcionamento intelectual em indivíduos com TEAs é extremamente variável, estendendo-se desde um profundo prejuízo até níveis superiores.

É importante que, uma vez identificadas, as crianças com um TEA e suas famílias recebam informações relevantes, serviços, encaminhamentos e apoio prático de acordo com suas necessidades individuais. Uma cura para o TEA não está disponível. Intervenções psicossociais baseadas em evidências, no entanto, como tratamento comportamental e programas de treinamento de habilidades para pais e outros cuidadores, podem reduzir as dificuldades de comunicação e comportamento social, com impacto positivo no bem-estar e qualidade de vida da pessoa.

 

1 em 160 crianças tem um transtorno do espectro do autismo (TEA).

Estima-se que em todo o mundo 1 em 160 crianças tem um TEA. Essa estimativa representa um valor médio e a prevalência* relatada varia substancialmente entre os estudos. Alguns estudos bem controlados, no entanto, relataram números substancialmente mais elevados. A prevalência de TEA em muitos países de renda baixa e média é até agora desconhecida.

Com base em estudos epidemiológicos realizados nos últimos 50 anos, a prevalência de TEA parece estar aumentando globalmente. Há muitas explicações possíveis para esse aparente aumento, incluindo maior conscientização, ampliação de critérios diagnósticos, melhores ferramentas de diagnóstico e melhoria de relatórios.

*prevalência: número de casos existentes em um dado ponto do tempo

 

Preconceito

Em todo o mundo, as pessoas com TEA estão frequentemente sujeitas a estigma, discriminação e violações dos direitos humanos. Globalmente, o acesso a serviços e suporte para pessoas com TEA é inadequado.

Pessoas com TEA têm os mesmos problemas de saúde que afetam a população em geral. Além disso, eles podem ter necessidades específicas de cuidados de saúde relacionados com TEA ou outras condições co-ocorrentes. Eles podem ser mais vulneráveis ​​ao desenvolvimento de condições crônicas não transmissíveis devido a fatores comportamentais de risco, como inatividade física e preferências alimentares inadequadas, e estão sob maior risco de sofrer violência, lesão e abuso.

As pessoas com TEA requerem serviços de saúde acessíveis para as necessidades gerais de cuidados de saúde, como o resto da população, incluindo serviços de promoção e prevenção e tratamento de doenças agudas e crônicas. No entanto, as pessoas com TEA têm maiores taxas de necessidades de saúde não atendidas em comparação com a população em geral. Eles também são mais vulneráveis ​​durante emergências humanitárias. Uma barreira comum é criada pelo conhecimento inadequado dos profissionais de saúde sobre TEA e equívocos.

 


Referências
VARELLA, D. D. TEA – Transtorno do Espectro Autista. Disponível em: <https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/tea-transtorno-do-espectro-autista-ii/>. Acesso em: 2 abr. 2018.
WHO | Autism spectrum disorders. Disponível em: <http://www.who.int/mediacentre/factsheets/autism-spectrum-disorders/en/>. Acesso em: 2 abr. 2018.
WHO | World Autism Awareness Day. Disponível em: <http://www.who.int/life-course/news/events/world-autism-awareness-day/en/>. Acesso em: 2 abr. 2018.

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Luiza Toledo

Formada em Ciência Biológicas: Microbiologia e Imunologia pela UFRJ (2016), atualmente faz mestrado na FIOCRUZ em Saúde Publica e Meio Ambiente, na área de gestão e saneamento ambiental.

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