Produção de eletricidade por bactérias

Esse texto foi escrito por Cecília Vieira, aluna de graduação no Instituto de Microbiologia Professor Paulo de Góes (IMPG/UFRJ) e aluna do Laboratório de Imunologia Básica e Aplicada.

A ideia de utilizar microrganismos para gerar eletricidade não é nova e foi atribuída a Potter em 1911 e embora possa não ser muito conhecida, não foi esquecida, sendo cogitada pela NASA a utilização dessas células para a geração de energia elétrica em viagens espaciais.

Um microrganismo conhecido como Geobacter sulfurreducens é capaz de realizar essa ideia. Essa bactéria anaeróbia consegue oxidar matéria orgânica com o auxílio de um inusitado pili eletrocondutor. Os elétrons são liberados através do pili durante o processo de oxidação da matéria orgânica. Esses elétrons sendo liberados para um anodo podem ser utilizados para a geração de energia elétrica.

Imagem de microscópio eletrônico de transmissão da bactérias Geobacter sulfurreducens mostrando os pilis eletrocondurores e os dois flagelos. (Imagem colorida artificialmente para auxiliar na distinção das estruturas; Fonte: geobacter.org/Nanowires)

Essa bactéria juntamente com outras bactérias do mesmo gênero como Geobacter metalirreducens ou outras bactérias eletroativas liberam elétrons e dióxido de carbono quando oxidam a matéria orgânica dentro de um biofilme no anodo. Pela diferença de potencial gerada entre anodo e catodo há a produção de energia elétrica em um processo conhecido como Microbial Full Cell (MFC).

Ainda não se sabe como ocorre a atração das células bacterianas para os eletrodos ou como ocorre a formação do biofilme. Ainda há a questão da baixa energia produzida pelo MFC em comparação com as células de combustível química.

Apesar desses desafios há aspectos positivos do uso da MFC, como o fato de ser a única tecnologia descrita atualmente sendo capaz de gerar eletricidade sem desperdício. Ainda, as bactérias envolvidas na MFC usam compostos orgânicos provenientes de águas poluídas servirem como fonte de matéria orgânica para o biofilme. Isso mostra que através da MFC pode-se gerar energia elétrica e simultaneamente degradar poluentes.


Referências

2017. Carlo SantoroCatia ArbizzaniBenjamin Erable e Ioannis IeropoulosMicrobial fuel cells: From fundamentals to applications. A reviewJournal of Power Sources.

2013. Luciana Peixoto, Gilberto Martins, Diogo Amorim, Pier Parpot, Regina Nogueira e António Guerreiro de Brito. Células de Combustível Microbianas: Um Processo Inovador para Produção de Energia e Tratamento de Águas Residuais em Sistemas descentralizados. 11º SILUSBA

2010. Silvio Rachinski, Ademir Carubelli, Ana Paula Mangoni e Antonio S. Mangrich. Pilhas de combustíveis microbianas utilizadas na produção de eletricidade a partir de rejeitos orgânicos: uma perspectiva de futuro. Química Nova.

Você também poderá gostar:

comentários

Sidcley Lyra

Formado em Ciências Biológicas: Microbiologia e Imunologia pela UFRJ no ano de 2017. Tenho experiência na área de Microbiologia, com ênfase em Microbiologia Ambiental. Além dos estudos que resultou no TCC, participei de alguns projetos de popularização da ciência, como o Cineclube Biofilme e o Ciência em Jogo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: