A ciência por trás das tatuagens!

tatuagem artista

Se você é um aficionado por tatuagens, ou admirador da arte, já deve ter se perguntado alguma vez o que faz com que elas fiquem eternamente no nosso corpo. Bom, spoiler alert, é o seu sistema imune. Agradeça aos macrófagos pelas suas tatuagens!

Para você entender como as tatuagens ficam no seu corpo para sempre, primeiro você precisa entender como funciona o seu sistema imune.

Sistema Imune

O seu sistema imune é responsável pela defesa do organismo contra uma infecção. Toda vez que entra um “corpo estranho” no seu organismo isso gera uma resposta imune. Essa resposta imune vai recrutar células fagocíticas que vão reconhecer e destruir esse “corpo estranho”. Uma das principais células fagocíticas que entram em ação durante a resposta imune do nosso corpo são os macrófagos. Essas células são responsáveis por reconhecerem esse corpo estranho e o fagocitam (“comem”).

Então, como a tatuagem fica no corpo para sempre?

Quando a máquina da tatuagem injeta o tinta na sua pele, ela deposita a tinta na derme (camada da pele que contém vasos sanguíneos e nervos). A tinta da tatuagem é vista como um “corpo estranho” e com isso o seu sistema imune entra em ação, gerando uma resposta imune.

Seu sistema imune vai recrutar os macrófagos para onde a tinta foi depositada. E esses macrófagos vão fagocitar (“comer”) as moléculas de pigmento da tinta da tatuagem. Porém, as moléculas de pigmentos da tinta são muito grandes para serem destruídas pelos macrófagos. Então, a tinta permanece ali aprisionada no macrófago, formando a sua tatuagem!

Mais do que estética

As tatuagens ganharam uma enorme popularidade nos últimos vinte anos. As motivações que conduzem um indivíduo a adquirir uma tatuagem são os mais diversos. Uma motivação recente é o uso da tatuagem para fins de identificação médica para condições que requerem atenção especial em situações de emergência, como pacientes com diabetes que podem ser encontrados inconscientes por hipoglicemia ou com alergia a medicação específica.

tatuagem de uso médico
Exemplos de tatuagens para fins de identificação médica. Foto: Fabiano Arruda/G1 MS ; Esther/Droidlicious Diva

Este novo fenômeno (praticado por pacientes por conta própria sem consulta médica) pode ser encontrado na internet. No entanto, precisamos lembrar que as tatuagens são procedimentos invasivos. A introdução de pigmentos exógenos não é inofensiva e pode ser responsável por uma ampla gama de complicações cutâneas.

Logo, certas precauções devem ser consideradas nos termos de tatuagens de alerta médico, especialmente em pacientes com diabetes. Uma vez que a hiperglicemia não controlada pode levar a infecções de feridas e a cicatrização prejudicada, recomenda-se que os pacientes com diabetes devem ter sua glicose no sangue otimamente controlada antes da tatuagem.


Referências:

MADIGAN, M. T. Microbiologia de Brock. Porto Alegre (RS): ARTMED, 2010.
UNDERHILL, D. M.; OZINSKY, A. Phagocytosis of microbes: complexity in action. Annual Review of Immunology, v. 20, p. 825–852, 2002.
KLUGER, N.; ALDASOUQI, S. A new purpose for tattoos: medical alert tattoos. Presse Medicale (Paris, France: 1983), v. 42, n. 2, p. 134–137, fev. 2013.

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About Luiza Toledo

Formada em Ciência Biológicas: Microbiologia e Imunologia pela UFRJ (2016), atualmente faz mestrado na FIOCRUZ em Saúde Publica e Meio Ambiente, na área de gestão e saneamento ambiental.

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