I Congresso de Mulheres na Ciência da UFMG

O I Congresso de Mulheres na Ciência da UFMG irá acontecer entre os dias 27 a 31 de agosto de 2018, na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) no auditório nobre do CAD1.

Sobre o Evento:

Com o intuito de incentivar mais mulheres a seguirem a carreira acadêmica, de divulgar o trabalho de diversas pesquisadoras e discutir as diversas formas em que a desigualdade de gênero está presente na academia e como superar esses obstáculos, foi criado o I Congresso de Mulheres na Ciência da UFMG que irá acontecer entre os dias 27 a 31 de agosto de 2018.

O evento será realizado entre os dias 27 e 31 de agosto na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Campus Pampulha, no auditório CAD1. O congresso foi idealizado por um grupo de estudantes do curso de Ciências Biológicas.

O congresso irá abordar as áreas das ciências biológicas e exatas, nas áreas de imunologia, bioquímica, ecologia, física, química, microbiologia, parasitologia, entre outros temas.

Gostaria de dar destaque as mesas redondas que vão encerrar cada dia de congresso, onde serão discutidas as diversas formas em que a desigualdade de gênero está presente na academia e como superar esses obstáculos. São elas:

 Histórico de mulheres apagadas na ciência – Dia 27/08

 Maternidade na carreira acadêmica – Dia 28/08

 O machismo sistêmico nas ciências exatas – Dia 29/08

 Mulheres Negras na Ciência – Dia 30/08

 Visão geral: O machismo na ciência – Dia 31/08

Por ser um evento é gratuito e aberto ao público, existe um financiamento coletivo no Catarse para ajudar a levar alguns palestrantes para o evento!

Se você se interessou as inscrições para a participação do congresso abrem dia 15/07/2018! Site do Congresso

Importância do Evento:

Ao longo da história, o papel da mulher na ciência foi expressivo e as suas contribuições científicas se manifestaram nas mais diversas áreas do conhecimento. Entretanto, quantas destas contribuições foram verdadeiramente valorizadas? A invisibilidade das mulheres na ciência é um fato. Podemos citar como exemplo a trajetória do Prêmio Nobel que está repleta de pegadas sexistas. Saiba mais aqui. 

A participação das mulheres entre os pesquisadores difere entre os vários campos de pesquisa. Existem várias áreas temáticas onde as mulheres representam pelo menos 40% dos pesquisadores, entre elas: Bioquímica, Genética, Biologia Molecular, Imunologia e Microbiologia, Medicina, Enfermagem e Psicologia. Entretanto, as Ciências Físicas contam uma história diferente. Nos campos de Ciência da Computação, Energia, Engenharia, Matemática e Física e Astronomia, a maioria dos países e regiões  tem menos de 25% das mulheres entre os pesquisadores.

Proporção e número de pesquisadores por gênero (entre perfis de autores nomeados e com perspectiva de gênero) para cada comparador e área temática, 1996 –2000 vs. 2011–2015. Fontes: Scopus, Genderize, NamSor e Wikipedia

As disparidades de gênero não acontecem apenas dentro das áreas de pesquisa, mas também estão presentes em relação aos salários e o avanço dos pesquisadores. As mulheres são mais propensas do que os homens a ter uma carreira não-linear, e são mais propensas a deixar o caminho acadêmico por causa de fatores pessoais, como a licença-maternidade.

Questões de equilíbrio entre trabalho e vida pessoal podem interferir na produtividade e no avanço da publicação de maneira diferente para homens e mulheres. O I Simpósio de Brasileiro de Maternidade e Ciência mostrou que pesquisadoras sem filhos conseguem manter uma taxa de publicações regular, enquanto uma cientista com filhos essa taxa cai.

Além disso, não podemos deixar de destacar o assédio no mundo científico, muitas mulheres com medo de perder seus cargos se calam, enquanto outras preferem simplesmente deixar a carreira. Em abril deste ano (2018), saiu uma reportagem na Science Magazine que o biólogo de câncer, Inder Verma, teria abusado sexualmente mulheres por décadas. Em relatórios que vão de 1976 a 2016, as mulheres alegam, variadamente, que ele agarrou seus seios, beliscou suas nádegas, os beijou à força e repetidamente comentou sobre seus atributos físicos em ambientes profissionais.

Questões de gênero influenciam a maioria dos aspectos de nossas vidas e sociedades. Sua relevância para o mundo da pesquisa tem sido cada vez mais reconhecida por meio de iniciativas globais, regionais e locais, como o I Congresso de Mulheres na ciência, que tem como objetivo promover uma melhor representação de gênero nas ciências.


ELSEVIER. Gender in the Global Research Landscape. [s.l: s.n.]. Disponível em: <https://www.elsevier.com/__data/assets/pdf_file/0008/265661/ElsevierGenderReport_final_for-web.pdf>. Acesso em: 2 jul. 2018.
WADMANAPR. 26, M.; 2018; PM, 4:50. Famed cancer biologist allegedly sexually harassed women for decades. Disponível em: <http://www.sciencemag.org/news/2018/04/famed-cancer-biologist-allegedly-sexually-harassed-women-decades>. Acesso em: 2 jul. 2018.

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About Luiza Toledo

Formada em Ciência Biológicas: Microbiologia e Imunologia pela UFRJ (2016), atualmente faz mestrado na FIOCRUZ em Saúde Publica e Meio Ambiente, na área de gestão e saneamento ambiental.

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