5 coisas que você precisa saber sobre os cortes na ciência

Corte de verba na ciencia

No começo do mês de agosto veio uma notícia que preocupou muitos bolsistas do CNPq: as bolsas serão cortadas. A principal agência de fomento* à pesquisa do país, atingiu o teto orçamentário programado para o ano de 2017. Isso implica que cerca de 100 mil bolsistas e pesquisadores que são financiados pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) terão suas bolsas cortadas a partir de setembro.

 

Entenda o atual cenário:

O orçamento do CNPq aprovado para 2017 é de R$1,3 bilhões, porém o órgão está autorizado a gastar apenas 56% do total (R$730 milhões) por ordem do governo federal. Até o começo de agosto, já foram gastos R$ 672 milhões. A estratégia foi postergar a aplicação do corte para o final do ano, ao invés de parcelar entre os doze meses. O intuito era ganhar tempo na esperança de ocorrer o desbloqueio dos outros 44% do orçamento.

Além de ter seus recursos do Tesouro congelados, o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) também sofreu contingenciamento. A expectativa era do CNPq receber R$400 milhões do fundo somente esse ano, mas até o mês de agosto só receberam R$60 milhões. O CNPq não é o único órgão de financiamento com problemas orçamentários. A FAPERJ (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro) teve seu orçamento reduzido em 30% no mês de janeiro de 2017.

Número de bolsas e auxílios à pesquisa concedidos pelo CNPq.
Número de bolsas e auxílios à pesquisa concedidos pelo CNPq. Fonte: CNPq / Dados atualizados até junho/2017 – Os resultados apresentados para o ano corrente são parciais

O que você precisa saber:

1. Os cortes na Ciência equivalem a quase 50% dos cortes gerais!

Os cortes de verba na área de ciência e tecnologia faz parte do corte geral de R$42 bilhões do orçamento federal, englobando todos os departamentos governamentais. O problema é que  o corte da Ciência equivale a quase 50% dos cortes gerais! A proposta para o orçamento de 2017 era de R$5 bilhões, porém com o corte, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) teve que reorganizar suas propostas com apenas R$2,8 bilhões em caixa.

2. Fonte de renda de muitos pesquisadores da pós-graduação, as vezes a única renda!

No Brasil, a profissão “cientista” não existe. Os responsáveis pela produção cientifica brasileira são professores com bolsa de produtividade e os aluno de pós-graduação, como doutorandos, pós-doutorando, mestrandos, e alunos de graduação de iniciação científica, beneficiados pelas bolsas do CNPq (ou de outros órgãos de fomento, como FAPERJ). A maioria da pesquisa realizado no Brasil é produzida por universidades.

3. Perda de grandes nomes da ciência brasileira para o exterior!

Muitas vezes reclamamos que as descobertas científicas são realizadas no exterior, ou exaltamos, os cientistas estrangeiros, mas a verdade é que com o baixo investimento na ciência e tecnologia, muitos pesquisadores que tem condições ou contatos com outros pesquisadores de Instituições de outros países, saem do país e levem consigo o conhecimento necessário para a geração de novas tecnologias, assim como um grande potencial de inovação.

Como exemplo, temos o caso da renomada neurocientista e ex-professora da UFRJ, Suzana Herculano-Houzel que fechou seu laboratório em 2016 e trocou o Brasil pelos Estados Unidos. E, diga-se de passagem, suas aulas em “A Origem da Vida” eram excelentes. Os Estados Unidos ganhou além de uma ótima pesquisadora, com artigos publicados na Science e um episódio no TEDTalks, uma grande professora.

4. Não apenas pesquisadores são afetados pelos cortes do governo, e sim toda população!

Além do corte das bolsas de estudos, o financiamento de pesquisas científicas que estão em andamento também será impactado pela falta de dinheiro. Pesquisas científicas, como desenvolvimento de vacinas, teste de novos medicamentos, entre outros, terão seu financiamento reduzido. Imagine, como os cortes financeiros atuais afetariam as pesquisas durante o surto de microcefalia causado pelo Zika vírus?

5. Sem investimento em ciência e tecnologia, não há como um país ir para frente!

“Todo governo gosta de distribuir riqueza; mas distribuir riqueza sem gerar riqueza não tem jeito. E para gerar riqueza não tem outro caminho se não usar ciência, tecnologia e inovação”, afirmou Mario Neto Borges, presidente do CNPq, sobre a necessidade de investimento na ciência.

“O novo orçamento é uma bomba atômica contra a ciência brasileira”, diz o físico Luiz Davidovich, presidente da Academia Brasileira de Ciências. “Se tivesse em guerra, poderíamos pensar que essa era uma estratégia de uma potência estrangeira para destruir nosso país. Mas, em vez disso, somos nós fazendo isso para nós mesmos”.

Perspectivas para 2018

A perspectiva para o ano que vem não é nada animadora. Segundo Borges,  o orçamento mínimo para se cumprir todos os compromissos atuais é de R$1,9 bilhão, mas há indícios de que o governo federal pretende reduzir ainda mais o orçamento do MCTIC. Diante dos atuais cortes no financiamento da ciência e tecnologia, se faz cada vez mais necessário que nós entendamos a função que a ciência possui para o desenvolvimento tecnológico e educacional do país.

*Fomento = ação ou efeito de promover o desenvolvimento; estímulo, apoio, impulso.

 


Referências

Hector Escoba. CNPq atinge teto orçamentário e pagamento de bolsas pode ser suspenso. Acessado em: 07 de ago. 2017

Renato Grandele. Corte de 30% nos recursos da Faperj pode parar até 2 mil laboratórios. Acessado em: 07 de ago. 2017

Fabrício Marques. Financiamento em crise. Acessado em: 07 de ago. 2017

Letícia Miranda. Cortes na ciência no Brasil viram assunto na revista Nature. Acessado em: 07 de ago. 2017

Você também poderá gostar:

comentários

About Equipe Ciência Explica

Somos um site de divulgação científica com objetivo difundir a ciência de uma maneira fácil e divertida para que todos consigam compreender. Nos comprometemos em produzir e transmitir conteúdos de qualidade!

View all posts by Equipe Ciência Explica →

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *