XI Festival UFRJMar e a resistência das Universidades

Em setembro de 2017 ocorreu o XI Festival UFRJMar, um grande evento realizado pela NIDES e pelo grupo interdisciplinar da Engenharia Naval e Oceânica, UFRJMar, que leva a produção acadêmica para conversar com a comunidade de cidades litorâneas afastadas dos grandes centros urbanos.

Nessa 11ª edição, 24 oficinas de diferentes centros de estudos da UFRJ reuniram-se no Colégio CEMBRA, principal colégio estadual de Paraty, para realizar uma troca de conhecimento com a comunidade. “Esse evento, compartilhando o conhecimento da universidade com nossos jovens e alunos através das oficinas, é incrível. E num momento difícil, que achamos que não viveríamos novamente, estamos aqui resistindo no XI Festival UFRJMar”, disse a diretora Gabriela Gibrail, ao decorrer da abertura do evento, sobre a atual situação de cortes na C&T.

Ainda durante a cerimônia de abertura, Walter Suemitsu, diretor do NIDES, se emociona durante a fala: “Estamos vivendo uma época difícil e hoje estou muito contente pelo evento estar se realizando porque quando a gente começou não tínhamos certeza de nada. E com o evento ocorrendo numa ápoca de crise, demonstramos que resistimos”.

As oficinas

Durante os dois dias de evento, os portões do colégio estavam abertos aos moradores de Paraty para aproveitarem todas as atividades e oficinas que cada instituto organizou. Dentro do Colégio CEMBRA ocorreram as mais diversas oficinas. A Praia do Pontal também foi ocupada por alunos e professores do NIDES e da Escola de Educação Física e Desportos com oficinas de vela desportiva e esportes de areia.

Conversamos com os organizadores de algumas oficina e vimos a paixão envolvida na disseminação do conhecimento e na inclusão das crianças e adolescentes de Paraty.

A médica veterinária Ana Paula e a bióloga Moana Ferreira, ambas do Centro de Formação Toxicológica do Hospital Universitário da UFRJ, levaram a oficina Acidentes com animais marinhos de importância médica e socioambiental com o intuito de informar aos jovens e pescadores quais animais causam acidentes os acidentes mais frequentes. “Foi uma demanda que veio de um grupo de pescadores de Itaipu, em Niterói que observaram um número crescente de acidentes e pediram uma ação de conscientização”, diz a pesquisadora Ana Paula.

As bibliotecárias Zoraide e Luciana, da Biblioteca da Engenharia levaram uma tenda de leituras, O Livro em Movimento, para trabalhar a criatividade e o vocabulário das crianças através de leituras de contos, teatro de fantoches e pinturas de desenhos. “O impacto é legal na atividade de desenho e pintura, eles conheciam o Curupira, Boi Tata, Saci e o Boto. Não queríamos ficar nas histórias europeias, então trouxemos mais aspectos do nosso folclore”.

A estudante de meteorologia, Judith Cardoso, do Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza, UFRJ planejou a oficina Meteorologista Mirim, onde apresentou, de forma simples e lúdica, alguns dos fenômenos meteorológicos que a gente vê nos filmes e noticiários, como os tornados.

O grupo de Animação e Cineclube transformou a tragédia grega de Édipo em animação com a ajuda das crianças que recriaram cenas do texto de Édipo utilizando desenhos e gravuras de revistas e a técnica cut-out. “Apesar de ter sido escrita há muito tempo, o texto ainda é bem atual. Muitos escritores ainda utilizam a base de Édipo para compor novelas, filmes e séries”.

O Laboratório de Tecnologia de Alimentos, da Escola de Química da UFRJ levou a oficina Alga Mais pra Você. O objetivo do laboratório é desenvolver produtos que utilizem matérias primas sustentáveis e, sendo assim, eles levaram a alga marinha e dois produtos feitos com essa alga: potássio, que pode ser substituído pelo sal marinho em pessoas com hipertensão e manja de ameixa.

Os alunos do Núcleo de Entretenimento Ciência em Jogo do Instituto de Microbiologia levaram os jogos educativos para apresentar, de forma leve e divertida, alguns microrganismos às crianças e adolescentes. E, utilizando o imaginário deles, abordar conceitos como formas e tamanhos dos microrganismos.

Os alunos Jonas Nobrega e Hellen Nascimento do Laboratório Bioinovar, Instituto de Microbiologia, levaram a oficina Ciência com Micróbios, onde abordaram as múltiplas facetas dos microrganismos. Através de observações microscópicas, foram apresentados aos alunos microrganismos presentes em alimento, como os lactobacilos vivos do Yakult e os fungos do fermento fresco e microrganismos naturalmente ambientais, como as bactérias magnetotáticas.

O início de tudo, por Gabriela Gibrail

O festival começou há 11 anos, a primeira edição foi chamada ‘Semeando’ com a ideia de semear o Festival do Mar para ele acontecer. Então fizemos o Semeando com o professor Fernando Amorim, que foi o grande educador e mentor por trás disso tudo, e ele tinha essa concepção interdisciplinar, unindo as várias áreas do conhecimento da universidade num encontro onde pudessem acontecer as trocas. Então o evento tem duas dimensões, uma é a questão interdisciplinar e a outra é a interiorização da universidade, que na época era uma política de governo. E Paraty, sendo a última cidade, gerava um grande interesse com muitas possibilidades. E aí aconteceu o primeiro Festival do Mar que nós batizamos, na época, como Festa do Mar em homenagem às festas tradicionais de Paraty. E cada ano o evento tem uma característica própria, no primeiro ano a gente convenceu todo mundo a fazer e foi tudo na loucura. Depois veio o desafio Solar, que foi a construção de barcos com energia solar. E por aí vai.

Então, realmente foi um momento muito bonito dessa vinda da universidade, mas, infelizmente, hoje a própria universidade está se mantendo no Rio de Janeiro com muita dificuldade. Então, esse festival esse ano é um festival de resistência, de luta, um festival improvável diante do cenário”.

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Gostaríamos de agradecer aos coordenadores do Festival UFRJMar, em especial à professora Regina Magalhães, por nos receber no evento.

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About Sidcley Lyra

Formado em Ciências Biológicas: Microbiologia e Imunologia pela UFRJ no ano de 2017. Tenho experiência na área de Microbiologia, com ênfase em Microbiologia Ambiental. Além dos estudos que resultou no TCC, participei de alguns projetos de popularização da ciência, como o Cineclube Biofilme e o Ciência em Jogo.

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