150 anos de Marie Curie – Parte I

Essa semana fazem 150 anos do nascimento de Marie Skłodowska Curie, nascida no dia 7 de novembro de 1867 em Varsóvia, Polônia.

Reconhecida mundialmente por suas descobertas e por ter sido a primeira mulher laureada com o Prêmio Nobel e a única mulher a ganhar o mesmo prêmio duas vezes e em áreas diferentes, Marie Curie é muito mais que os prêmios que carrega. Suas superações pessoais e profissionais são tidas como exemplos a serem seguidos.

Nesse ano, o Centro de monumentos nacionais, o Instituto Curie e o Museu Curie celebram os 150 anos de Marie Curie apresentando a exposição “Marie Curie, uma mulher no Panteão” em Paris, local onde ela repousa. O Panteão de Paris é um local onde renomadas figuras da história francesa repousam e, como de costume, Marie Curie foi a primeira mulher a ser sepultada por méritos próprios no Panteão de Paris. A exposição inédita, relembra a trajetória dessa grande mulher e cientista, assim como suas descobertas para a humanidade.

Porém, como o Panteão de Paris se encontra longe para alguns, vamos fazer uma retrospectiva de sua vida e carreira aqui no A Ciência Explica.

Vamos separar a vida de Marie Curie em duas partes: Sua infância e estudos e, num segundo artigo, sua carreira.

Infância

Marie Curie era a filha mais nova de pais professores. Seu pai, Wladyslaw Skłodowski, ensinava matemática e física, além de ser diretor de dois colégios para meninos em Varsóvia. Sua mãe, Bronislawa Skłodowska, era diretora de uma renomada escola para meninas, também em Varsóvia. A família Skłodowska vivia na Polônia quando essa estava sob domínio do Império Russo, eles compartilhavam e apoiavam a independência da Polônia, fazendo com que, eventualmente, Wladyslaw fosse demitido e a família toda perdesse suas propriedades e fortunas. Inclusive, alguns familiares mais afastados de Marie foram exilados na Áustria por envolvimentos mais fortes com os levantes patriotas. Além de perdas financeiras, a reputação da família Skłodowska também foi abalada, fazendo com que a vida de todos os integrantes ficasse mais dura.

Wladyslaw Skłodowski com suas filhas: Marie, Bronislawa e Helena, 1890. Fotógrafo desconhecido – scanneado de “Helena Skłodowska-Szalay: Ze wspomnień”.

Ainda quando criança, Marie e seus irmãos estudavam em escolas aos redores de Varsóvia. Marie seguia os passos dos pais e demonstrava interesses em física e matemática. Entretanto, essas disciplinas eram proibidas em escolas polonesas por conta do domínio Russo e, por isso, seu pai ensinou o básico para ser ter uma formação científica decente usando instrumentos de laboratório que tinha levado para casa quando foi demitido.

Em 1883, Marie Curie se formou com medalha de ouro ao que seria equivalente ao ensino médio em um colégio para mulheres. Ainda em Varsóvia, foi impedida de cursar o ensino superior pois a Universidade de Varsóvia era somente para homens, na época. Porém, sua determinação era tanta que começou a ter aulas em universidades undergrounds junto com sua irmã mais velha Bronislawa. Essas instituições de ensino clandestinas, também chamadas de universidades volantes, desafiavam o currículo imposto pelo Império Russo e admitiam mulheres.

Grandes sonhos, grandes dificuldades

Ambas tinham sonhos em tempos difíceis, Bronislawa queria cursar Medicina e Marie, Física. Então, as irmãs fizeram um acordo entre si: Marie iria ajudar sua irmã financeiramente até ela terminar a faculdade e depois Marie iria para universidade em Paris e sua irmã iria retribuir o mesmo favor. Seguindo o acordo, Marie se tornou governanta por dois anos em Varsóvia, mas não parou de estudar. Em seu tempo livre continuava seus estudos, frequentava a universidade volante onde também era tutora, lia livros e trocava cartas com outros estudiosos.

Maria Skłodowska com sua irmã, Bronisława. 1886. Fotógrafo desconhecido.

Em 1890 começou seu treinamento científico prático em um laboratório de química no Museu de Indústria e Agricultura, gerenciado pelo seu primo. No mesmo ano, Bronislawa se casou e convidou Marie para viver com eles em Paris e, assim, começar seus estudos. Marie recusou, pois ainda não tinha finanças suficiente para bancar seus estudos na universidade. O que só foi acontecer no final de 1891, quando Marie Curie se mudou para Paris. Morou por um tempo na casa de sua irmã e seu cunhado, mas depois preferiu alugar um sótão próximo a Universidade de Paris-Sorbonne.

Estudos em Paris

Com poucos recursos financeiros para viver, Marie estudava de dia e ensinava a noite afim de ter uma renda extra para se manter. Mesmo com essa dupla jornada, em tempos mais difíceis, passou fome e frio em invernos rigorosos.

Em 1893, Marie graduou-se em física e começou a trabalhar num laboratório industrial do professor Gabriel Lippman, que veio a receber o Nobel de Física em 1908. Nunca deixando de estudar, Marie engatou os estudos em Matemática com o auxílio de uma bolsa dada pelo governo polonês e conseguiu sua segunda graduação em 1894. Tempos depois, veio a devolver o valor do financiamento da bolsa de estudos.

Por mais que Marie não tenha deixado de estudar os assuntos que lhe interessavam, esse é o fim de sua fase como estudante e, a partir daqui, ela começa a construir sua carreira científica e se consolida como pesquisadora na Universidade. Esses assuntos vamos ver na segunda parte da matéria dos 150 anos de Marie Curie


Referências:

The Famous People. Marie Curie Biography.

American Institute of Physics. Marie Curie, her story in brief.

Podcast Fronteiras da Ciência. T08E02. 150 anos de nascimento de Madame Marie Curie.

Wikipedia. Marie Curie.

O Livro da Ciência. A radiação é uma propriedade atômica dos elementos. Marie Curie. (1867-1934)

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About Sidcley Lyra

Formado em Ciências Biológicas: Microbiologia e Imunologia pela UFRJ no ano de 2017. Tenho experiência na área de Microbiologia, com ênfase em Microbiologia Ambiental. Além dos estudos que resultou no TCC, participei de alguns projetos de popularização da ciência, como o Cineclube Biofilme e o Ciência em Jogo.

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