Prêmio Para Mulheres na Ciência – 2017

O Prêmio Para Mulheres na Ciência, criado pela empresa L’Oréal em parceria com a UNESCO e Academia Brasileira de Ciências (ABC), está em sua 12ª edição no Brasil. O programa, que é dedicado às mulheres cientistas do mundo, tem como objetivo reconhecer, dar suporte financeiro e visibilidade a jovens cientistas de diversas áreas. A principal motivação do programa é incentivar a entrada de mulheres na ciência e no mundo acadêmico para que ocorra um equilíbrio de gêneros no panorama científico, onde apenas 28% dos pesquisadores do mundo todo são do sexo feminino [1].

Na edição brasileira, são escolhidas, anualmente, sete pesquisadoras de diferentes áreas de atuação – Ciências Físicas, Ciências da Vida (Biomédicas, Biológicas e da Saúde), Ciências Matemáticas e Ciências Químicas – para serem contempladas com uma bolsa-auxílio no valor de R$50 mil para financiar sua pesquisa num período de um ano. No Brasil, o prêmio já financiou 75 projetos de cientistas promissoras.

Os trabalhos são avaliados por uma comissão de jurados composto por doze pesquisadores da Academia Brasileira de Ciências, um representante da L’Oréal Brasil, um representante da UNESCO no Brasil e o presidente da Academia Brasileira de Ciências. O júri utiliza critérios de avaliação envolvendo a qualidade e impacto do projeto e do trabalho anteriormente desenvolvido pela candidata. Características, como a independência e potencialidade da candidata frente ao sucesso do projeto também são ponderadas.

 

Vencedoras anteriores

A edição internacional do Prêmio Para Mulheres na Ciência se encontra na 19ª edição e premia anualmente cinco pesquisadoras, uma de cada continente, com um financiamento no valor de 100 mil dólares. Durante esses 19 anos, seis cientistas brasileiras já foram consagradas pelo programa For Women in Science. E elas são: Mayana Zatz (Genética – USP), em 2001; Lucia Previato (Microbiologia – UFRJ), em 2004; Belita Koiller (Física – UFRJ), em 2005; Beatriz Barbuy (Astrofísica – USP), em 2009; Marcia Barbosa (Física – UFRGS), em 2013 e Thaisa Storchi Bergmann (Astrofísica – UFRGS), em 2015. Além de elevar o nome do Brasil a nível global, elas são inspirações na Ciência.

Vencedoras da Edição 2017

Vencedoras do Prêmio Para Mulheres na Ciência, 2017. Foto: L’Óreal Brasil

Os jurados se reuniram na terça-feira passada (25 de Julho) para deliberar sobre as sete jovens pesquisadoras que mais se destacaram entre as 392 candidatas. Um dos jurados ressalta que a parte mais difícil foi escolher apenas 7 pesquisas relevantes dentre tantas.

“É gratificante saber que nos campos elegíveis pelo edital do prêmio – Ciências da Vida, Ciências Físicas, Matemática e Química – tivemos um grande número de propostas igualmente interessantes”, disse Fabio Eon, coordenador de Ciências Naturais da UNESCO no Brasil.

A cerimônia de premiação do Prêmio Para Mulheres na Ciência 2017 ocorrerá hoje (01 de Agosto) e em breve saberemos quem serão as pesquisadoras contempladas com o financiamento do Programa L’Óreal-UNESCO-ABC Para Mulheres na Ciência.

 

ATUALIZAÇÃO (01 de agosto de 2017. 14h)

 

Conheça as sete pesquisadoras reconhecidas pelo Prêmio Para Mulheres na Ciência, 2017:

FÍSICA

Jenaina Ribeiro Soares
Física da Universidade Federal de Lavras (UFLA), Jenaina Ribeiro Soares estuda a estrutura de novos nanomateriais com aplicações em diferentes indústrias, em especial a eletrônica. “Tudo isso vai permitir desenvolver projetos de ponta e inéditos no país”, afirma Jenaina que aposta na inovação.

 

 

MATEMÁTICA

Diana Sasaki Nobrega
A cientista Diana Sasaki Nobrega, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), investiga uma classe de problemas matemáticos conhecidos como grafos cúbicos, relacionados com a resolução de problemas reais de conflito, especialmente na área de computação.

 

 

QUÍMICA

Rafaela Salgado Ferreira
Rafaela Salgado Ferreira, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), desenha moléculas potencialmente capazes de inibir o funcionamento de proteínas essenciais na fisiologia do vírus da Zyka e do protozoário Trypanosoma cruzi. Ainda mais motivada pela premiação, Rafaela afirma o papel social da pesquisa e ressalta a importância da busca por tratamentos mais eficazes para zika e doença de Chagas e doenças tropicais negligenciadas, em geral.

 

CIÊNCIAS DA VIDA

Gabriela Nestal de Moraes
Gabriela Nestal de Moraes investiga, no Instituto Nacional do Câncer (Inca), as bases celulares e moleculares para uma nova terapia para o câncer de mama a partir de informações de pacientes que não respondem ao tratamento quimioterápico.

 

Fernanda Maria Policarpo Tonelli
Fernanda Maria Policarpo Tonelli, bioquímica e pós-doutoranda na Universidade Federal de Minas Gerais (UFGM), quer revolucionar a biotecnologia brasileira. Seu plano é utilizar tilápias-do-Nilo como biofábricas para a produção de substâncias como o hormônio do crescimento humano – uma inovação que pode economizar milhões de reais por ano ao sistema público de saúde.

 

Marilia Danyelle Nunes Rodrigues
A geneticista Marilia Danyelle Nunes Rodrigues trabalha na Universidade Federal Rural da Amazônia, no campus de Parauapebas, em busca de um diagnóstico da diversidade genética do pirarucu na região sudeste do Pará. A bióloga pretende criar uma cartilha para promover a conservação da espécie ameaçada de extinção.

 

Pâmela Billig Mello-Carpes
A pesquisadora da Universidade Federal do Pampa, campus Uruguaiana, estuda como o cuidado parental influencia a formação do cérebro. Ela busca formas de tratar problemas cognitivos relacionados à falta desse cuidado.

 

 

Essas foram as ganhadoras da edição 2017 do Programa L’Óreal-UNESCO-ABC Para Mulheres na Ciência. Com certeza esses projetos irão gerar grande impacto na ciência. Vamos continuar de olho nas vencedoras e acompanhar o desenvolvimento de seus projetos.

 


Referências:

[1] UNESCO Science Report Toward 2030. Capítulo 3 – Is the gender gap narrowing in science and engineering? Disponível em: <http://en.unesco.org/unesco_science_report>. Acesso em: 31 jul. 2017.

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About Sidcley Lyra

Formado em Ciências Biológicas: Microbiologia e Imunologia pela UFRJ no ano de 2017. Tenho experiência na área de Microbiologia, com ênfase em Microbiologia Ambiental. Além dos estudos que resultou no TCC, participei de alguns projetos de popularização da ciência, como o Cineclube Biofilme e o Ciência em Jogo.

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